O Imaflora é uma organização brasileira, sem fins lucrativos, criada em 1995, para gerar transformações socioambientais, visando a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e a promoção de benefícios sociais.
A atuação do Imaflora é apartidária e autônoma em relação a governos e confissões religiosas. O Instituto está baseado nos princípios da transparência, incentivo e abertura ao diálogo, respeito pela diversidade e independência.
Em Piracicaba, município sede da instituição desde sua fundação, intensificou sua atuação a partir de 2009. Para isso, concebeu o projeto Piracicaba Sustentável que busca contribuir com a sustentabilidade do município através do fortalecimento da capacidade de participação da sociedade civil nas políticas públicas e da criação de instrumentos de transparência e controle social.
Através do projeto, o Imaflora tem promovido fóruns, debates, cursos e oficinas voltados a diferentes temas como transparência pública, participação social, resíduos, recursos hídricos e mobilidade. Estes espaços buscam fortalecer a atuação da sociedade civil e gerar propostas de aprimoramento das políticas públicas locais.
O Imaflora reconhece o desafio e a complexidade para a construção de uma cidade sustentável. Entende que esta construção deve ser realizada a partir de processos participativos, que envolvam todos os cidadãos e instituições interessados e busca contribuir a partir desta perspectiva em sua atuação no município.
Para isso, desenvolve ações em parceria com organizações da sociedade civil, universidades, conselhos de políticas públicas, cidadãos, empresas e órgãos públicos. Nos últimos três anos mais de 40 instituições do município foram parceiras nas diferentes atividades realizadas.
Para saber e participar do projeto, acesse o blog http://www.piracicabasustentavel.blogspot.com.br/.
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segunda-feira, 28 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Unilever investe em sustentabilidade e vence competição internacional
Por Marina Piatto*
Em 2012, uma das iniciativas da Unilever na área de produção de chá ganhou a competição do EFMD na categoria de “Gestão da Cadeia de Fornecimento”, por seu perfil elevado e alto potencial de alcance. A EFMD - The Management Development Network - é uma organização formada por mais de 750 membros internacionais que promove informação, pesquisa, debates e inovação no desenvolvimento de boas práticas de gestão. Reconhecida pela sua qualidade em educação, a organização também acredita universidades e programas nas áreas de administração e gestão. Nos últimos 30 anos, EFMD vem organizando anualmente uma competição de iniciativas sustentáveis, onde o objetivo é encorajar que as estratégias e os projetos desenvolvidos por empresas ou instituições europeias sejam documentados e divulgados. As iniciativas podem ser implementadas em regiões do mundo como Ásia, América Latina, Oriente Médio ou África.
A iniciativa da Unilever foi documentada através da colaboração entre o IMD*, a Plataforma de Iniciativa em Agricultura Sustentável (Sustainable Agriculture Initiative Platform) e o IDH (organização holandesa, Dutch Sustainable Trade Organization) que participou como entidade patrocinadora. A Rainforest Alliance, o Imaflora e a Unilever contribuíram com a disponibilização dos dados e a descrição do projeto. A primeira parte da iniciativa documenta a transformação do mercado de chá, onde a Unilever estimula a produção sustentável, gera pesquisas participativas e com potencial de alcance considerável em discussões de inovação sistêmica. Esta iniciativa começou com as marcas Lipton e PG Tips em países específicos e ira expandir-se para outras regiões do mundo. A segunda parte da iniciativa documenta a colaboração da Unilever com as agências de chá no Quênia para incluir pequenos produtores e a experiência de certificação de grupos na Argentina. Os estudos de caso fazem parte do programa de chá do IDH em que as diversas empresas do setor (Unilever, Sara Lee e Twinings) trabalham em conjunto com ONGs e certificadoras como: Solidaridad, UTZ, Rainforest Alliance e Fair Trade.
Além da iniciativa ter ganhado a competição ela também será utilizada no curso do IMD que envolve mais de 400 gerentes de empresas que trabalham na área de cadeia de fornecimento sustentável e no curso de mestrado da Plataforma CSM que é executado anualmente em colaboração com a Plataforma SAI.
* IDH é um centro de especialização na área de gestão, sediado na Suíça, que documenta e distribui as melhores práticas, modelos, estudos e relatórios sobre a aceleração e ampliação do comércio sustentável.
* Marina Piatto é engenheira agrônoma e coordenadora de certificação agrícola do Imaflora.
Certificação e empreendedorismo social
Artigo publicado na área de sutentabilidade do Portal Terra (http://invertia.terra.com.br/sustentabilidade/noticias/0,,OI5788034-EI18978,00-Certificacao+e+empreendedorismo+social.html)
O Imaflora conquista a acreditação como certificador independente do sistema de certificação agrícola da Rede de Agricultura Sustentável/Rainforest Alliance. Até então, havia somente um certificador credenciado no mundo e atuávamos como organismo de inspeção; que conduzia as auditorias, mas não tomava a decisão de certificação e não emitia os certificados. Em 2010 o sistema iniciou um piloto para acreditar novos certificadores, para o qual o Imaflora aplicou como candidato a certificador.
A nova conquista tem vários significados e é resultado de um longo processo de reflexão e trabalho internos, que envolveu todas as instâncias da nossa instituição. Do ponto de vista prático, seremos autônomos para conduzir um processo de certificação do início ao fim, sendo responsáveis por todas as decisões cabíveis, como a aprovação ou cancelamento de um certificado agropecuário. O aumento da autonomia vem combinado com maior responsabilidade. Esperamos também que esta mudança nos possibilite realizar um trabalho com ainda melhor qualidade e eficiência.
O resultado foi obtido com o cumprimento dos requisitos de acreditação da Rede de Agricultura Sustentável/Rainforest Alliance e da ISO 65, que é a ISO referente a procedimentos de qualidade para certificação, considerada a carteira de habilitação dos certificadores. O cumprimento destes requisitos significa que o Imaflora demonstrou para o seu acreditador a capacidade de conduzir processos de certificação de maneira independente, transparente, não discriminatória, com consistência técnica e administrativa. Isto não é trivial e é a quebra de um paradigma, uma vez que a certificação está a serviço da missão do Imaflora, que é incentivar e promover mudanças nos setores florestal e agrícola, visando a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e a promoção de benefícios sociais.
A acreditação interna confirmou a nossa visão de que é possível fazer certificação de maneira independente, mas com uma perspectiva de empreendedorismo social, isto é, que este instrumento deve ser aplicado com um fim de gerar mudanças rumo ao desenvolvimento sustentável. Também demonstramos que a independência não é antagônica a valores de equidade e políticas reais de acesso à certificação para grupos marginalizados e potencialmente excluídos dos benefícios da certificação, como comunidades, povos indígenas e agricultores familiares. Fazemos isto por meio de subsídios aos custos diretos da certificação para estes públicos, por meio de um fundo interno, que é composto por recursos arrecadados pelos serviços da certificação de empresas.
Finalmente, também foi atestado que a certificação pode conviver em uma entidade sem fins lucrativos que tem outras formas de atuação e ações que complementam e se somam à certificação, como projetos de desenvolvimento local, organização de cadeias produtivas e incidência em políticas públicas. Este conjunto compõe a estratégia de intervenção do Imaflora.
Ao longo deste processo de maturação também analisamos profundamente os aspectos éticos e legais da certificação como uma "prestação de serviços" em uma ONG. Refletimos profundamente sobre este assunto com a nossa equipe e os Conselhos Diretor e Fiscal, pesquisamos a realidade de outras ONGs e o marco legal do empreendedorismo social. Concluímos que os "serviços" podem conviver tranquilamente dentro de uma entidade sem fins lucrativos, desde que estejam realmente alinhados e contribuindo para a sua missão, sejam realizados de maneira transparente e se tome uma série de medidas de precaução na gestão interna. Com estes cuidados, a certificação não somente contribui decisivamente para a missão do Imaflora, como para o seu fortalecimento institucional, a inovação e até o investimento em novos projetos.
O Imaflora conquista a acreditação como certificador independente do sistema de certificação agrícola da Rede de Agricultura Sustentável/Rainforest Alliance. Até então, havia somente um certificador credenciado no mundo e atuávamos como organismo de inspeção; que conduzia as auditorias, mas não tomava a decisão de certificação e não emitia os certificados. Em 2010 o sistema iniciou um piloto para acreditar novos certificadores, para o qual o Imaflora aplicou como candidato a certificador.
A nova conquista tem vários significados e é resultado de um longo processo de reflexão e trabalho internos, que envolveu todas as instâncias da nossa instituição. Do ponto de vista prático, seremos autônomos para conduzir um processo de certificação do início ao fim, sendo responsáveis por todas as decisões cabíveis, como a aprovação ou cancelamento de um certificado agropecuário. O aumento da autonomia vem combinado com maior responsabilidade. Esperamos também que esta mudança nos possibilite realizar um trabalho com ainda melhor qualidade e eficiência.
O resultado foi obtido com o cumprimento dos requisitos de acreditação da Rede de Agricultura Sustentável/Rainforest Alliance e da ISO 65, que é a ISO referente a procedimentos de qualidade para certificação, considerada a carteira de habilitação dos certificadores. O cumprimento destes requisitos significa que o Imaflora demonstrou para o seu acreditador a capacidade de conduzir processos de certificação de maneira independente, transparente, não discriminatória, com consistência técnica e administrativa. Isto não é trivial e é a quebra de um paradigma, uma vez que a certificação está a serviço da missão do Imaflora, que é incentivar e promover mudanças nos setores florestal e agrícola, visando a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais e a promoção de benefícios sociais.
A acreditação interna confirmou a nossa visão de que é possível fazer certificação de maneira independente, mas com uma perspectiva de empreendedorismo social, isto é, que este instrumento deve ser aplicado com um fim de gerar mudanças rumo ao desenvolvimento sustentável. Também demonstramos que a independência não é antagônica a valores de equidade e políticas reais de acesso à certificação para grupos marginalizados e potencialmente excluídos dos benefícios da certificação, como comunidades, povos indígenas e agricultores familiares. Fazemos isto por meio de subsídios aos custos diretos da certificação para estes públicos, por meio de um fundo interno, que é composto por recursos arrecadados pelos serviços da certificação de empresas.
Finalmente, também foi atestado que a certificação pode conviver em uma entidade sem fins lucrativos que tem outras formas de atuação e ações que complementam e se somam à certificação, como projetos de desenvolvimento local, organização de cadeias produtivas e incidência em políticas públicas. Este conjunto compõe a estratégia de intervenção do Imaflora.
Ao longo deste processo de maturação também analisamos profundamente os aspectos éticos e legais da certificação como uma "prestação de serviços" em uma ONG. Refletimos profundamente sobre este assunto com a nossa equipe e os Conselhos Diretor e Fiscal, pesquisamos a realidade de outras ONGs e o marco legal do empreendedorismo social. Concluímos que os "serviços" podem conviver tranquilamente dentro de uma entidade sem fins lucrativos, desde que estejam realmente alinhados e contribuindo para a sua missão, sejam realizados de maneira transparente e se tome uma série de medidas de precaução na gestão interna. Com estes cuidados, a certificação não somente contribui decisivamente para a missão do Imaflora, como para o seu fortalecimento institucional, a inovação e até o investimento em novos projetos.
Luís Fernando Guedes Pinto é gerente de Certificação Agrícola do Imaflora.
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